sexta-feira, 29 de setembro de 2017

GI Joe MASTERPIECE EDITION - A ORIGEM DO FALCON

Este é o pai do GIJoe e avô do Falcon. Primeiro e único, jamais produzido GIJoe da história. Este protótipo foi feito em 1964 pela empresa americana Hasbro. Naquele tempo achavam que um menino não brincaria de bonecas. É sim, chamavam esse bonecos de Dolls, um termo feminino usado para a Barbie. Porém, com o advento das articulações, armas e principalmente a cicatriz, começaram a chamá-los de Action Figures. Foi um projeto de 3 anos de desenvolvimento. 
Don Levine, o idealizador do projeto havia servido na guerra, e queria fazer uma linha de bonecos de plástico baseada em soldados. Hoje em dia parece fácil, mas naquela época  os bonecos eram feitos de madeira ou lata, e arriscar produzir uma linha inteira do outro lado do mundo parecia impossível. Todos na fábrica ficaram empolgados com a ideia e queriam participar de alguma forma. Para confecção das roupas e equipamentos foram usadas armas e uniformes reais do exército dos Estados Unidos da América. Outro fato inédito: imaginem um executivo de uma fábrica de brinquedos pedir para o exército os projetos de suas armas em plena guerra do Vietnã. Por sorte o militares entenderam a brincadeira e liberaram tudo.
No início ainda não havia sido escolhido o nome GIJoe, que em inglês, significa recruta. Cada boneco tinha um nome: Skip, o mergulhador; Ace, o piloto e Rocky, o soldado. Antes mesmo do primeiro protótipo ser produzido foram usados bonecos Ken (Bobby aqui no Brasil) com o rosto modificado e usando roupas mais masculinas para ver como ficariam. As caixas foram pintadas a mão. Todo esse trabalho para mostrar aos grandes magazines americanos como seriam os bonecos, suas embalagens e que lugar ocupariam nas prateleiras. Ainda hoje se compra assim. Existe uma feira nos EUA chamada Toy Fair. Lá os grandes compradores do mundo ficam sabendo das novidades e fazem suas encomendas. Da esquerda para direita: projeto das mãos, Skip o mergulhador, a caixa do Skip, caixas do Rocky e Ace e uma das ilustrações finais.
Seguindo a ideia de realismo, todas as ilustrações das embalagens foram feitas usando fotos de pessoas usando os trajes de verdade como modelos. A direita vemos a primeira roupa de mergulho, feita com câmara de pneu. O corpo do boneco não podia ser como o do Ken, precisava de muitas articulações para fazer todas as poses de ação, foram até contratados engenheiros para essa tarefa. Já a cabeça foi mais complicado, todos os escultores na fábrica haviam tentado esculpir uma cabeça sem sucesso. A ideia era fazer um rosto razoavelmente bonito, sem deixar de ser másculo. Ao mesmo tempo deveria ser comum o suficiente para não gerar nenhum protesto racial, mas deixar claro que era um soldado americano e sem esquecer da famosa cicatriz, é claro. Depois de andar de um lado pro outro, acabaram dando o trabalho para um escultor e artista plástico. Ele não ficou nem um pouco impressionado com essa história toda e fez a cabeça em uma semana. O pessoal da fábrica nem acreditou.
O boneco estava ficando perfeito. Além do americano, foi criada uma linha de bonecos com rostos estrangeiros: Soldiers of the World. Eram cinco modelos: francês, inglês, alemão, russo e japonês, Havia um boneco negro também, mas na verdade era o mesmo molde do branco feito em plástico escuro. Demorou uma década para que surgisse um GIJoe negro original. Também foi criado o clube GIJoe que existe até hoje! As primeiras cartas recebidas encheram uma sala de 50 metros quadrados. Para mim, as roupas mais incríveis são as do Astronauta e do Megulhador. Era impressionante o detalhe e a qualidade. A roupa de Astronauta era toda vedada como se o boneco fosse para o espaço mesmo. O mergulhador, como vemos na foto, era o sonho de qualquer crianças. De fato, a qualidade das roupas é tão impressionante que ainda hoje é possível encontrá-las com aparência de novas, mesmo tendo 40 anos de idade ou mais!
As peças publicitárias eram muito interessantes. A esquerda aquele conceito clássico de pai e filho brincado juntos. texto: Uma nova diversão para pai e filho! Pena que em português não rima né? Bom, se por um lado a mensagem é meio over, por outro mostra o potencial do boneco para a construção de cenários ou dioramas. Acho que isso manteve o interesse dos colecionadores mais velhos, esse tipo de brincadeira onde o grande barato é montar um cenário e expor sua criação. Nos EUA e Inglaterra existem competições de dioramas com prêmios e tudo! Mas para vender mesmo, o maior achado foram os catálogos que vinham junto nas embalagens. As fotos eram muito legais, dava vontade de comprar todos! Alguns desses catálogos são vendidos hoje mais caros que os bonecos. 
O sucesso sempre traz o olho grande da concorrência. Nas duas primeiras fotos da esquerda para direita, vemos o produto da criatividade do fabricante Mego: Se a Hasbro possuía o GIJoe, a Mego tinha o JOse! Esse boneco era uma cópia descarada do GIJoe original, porém com uma qualidade inferior e roupas mal feitas. Compare O JOse com o GIJoe original da foto no centro. Infelizmente essa prática é comum ainda hoje. Alguns espertos simplesmente copiam um produto e colocam um nome parecido. Como não gastaram nada para desenvolvê-lo e não estão preocupados em manter clientes a longo prazo, vendem bonecos de qualidade duvidosa por preços irrisórios. Isso foi rapidamente resolvido e não afetou as vendas do GIJoe que estavam nas alturas. Pra dar mais um empurrãozinho foi criada uma revista em quadrinhos narrando suas aventuras. Essa é uma pequena amostra da história desse veterano de 53 anos (ele se alistou em 1964 e está na ativa desde então). Lembrem-se crianças: Procurem o selo e insistam em GIJoe!

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